COMUNICADO
Atualizado: há 2 horas

Queremos partilhar convosco uma decisão que tomámos recentemente e esclarecer algumas questões que sabemos que podem surgir à volta deste assunto.
Em agosto de 2026, a ALEA (Associação Sombras Vivas) efetuou o registo das marcas «Jogo Imersivo» e «Liveplay Imersivo».
Achamos importante explicar porque o fizemos, o que pretendemos proteger e, acima de tudo, deixar claro aquilo que esta decisão
NÃO significa.
Porque é que registámos estas marcas?
Ao longo do nosso percurso, temos vindo a desenvolver projetos e experiências imersivas com características, estruturas e dinâmicas próprias. É um trabalho que resulta de muito tempo, dedicação, criatividade, experimentação e aprendizagem.
Como acontece noutras áreas artísticas e criativas, sentimos que é importante proteger aquilo que temos vindo a construir e a identidade que fomos desenvolvendo enquanto associação.
O registo de marcas é uma das formas de o fazer e é uma prática comum em áreas como o teatro, a música e muitas outras formas de criação.
Mas o que é que isto significa na prática?
Aqui queremos deixar uma coisa muito clara: não queremos ser donos das palavras «Jogo Imersivo» ou «Liveplay Imersivo», nem impedir ninguém de as utilizar! O registo de marca não se trata de uma tentativa de monopolização de termos e palavras.
Os registos foram efetuados para classes e condições específicas de proteção. Não significam que tenhamos reservado estas expressões de forma absoluta ou que mais ninguém possa utilizá-las para descrever os seus projetos.
Sabemos perfeitamente que jogos ao vivo, liveplays, jogos narrativos e outras experiências que envolvem interpretação e imersão existem há muitos anos, em Portugal e no resto do mundo.
Gostamos muito de ver crescer esta área e ficamos genuinamente felizes por existirem cada vez mais pessoas, grupos e associações a explorar estas formas de jogar e criar.
Então, o que queremos proteger?
A diferença está entre utilizar um termo que é comum a todos, algo obviamente possível, e reproduzir algo específico que outra pessoa desenvolveu, ou seja, a sua propriedade intelectual.
Ao longo do nosso trabalho, fomos construindo formas próprias de estruturar experiências, desenvolver dinâmicas e criar determinados formatos. O “Jogo Imersivo” não é algo que possa ser descrito vagamente, mas sim um conjunto de elementos, pensados para se harmonizarem de forma específica, para criar uma experiência que tem sido, desde o primeiro evento, descrita como única. São esses elementos específicos, que resultam do nosso processo criativo, que queremos salvaguardar.
É esta distinção que consideramos importante e que procuramos também respeitar no trabalho dos outros.
Quais os elementos característicos do “Jogo Imersivo”?
Os nossos Jogo Imersivo procuram explorar este novo tipo de espetáculo e torná-lo mais envolvente. Para atingir este objetivo, estes eventos têm as seguintes elementos:
AÇÃO LONGE DA MESA - As histórias dos JOGOS IMERSIVOS são contadas por jogadores num palco, longe da tradicional mesa de jogo associada aos Jogos ao Vivo. Isto faz com que as personagens sejam interpretadas com corpo e voz, numa verdadeira união de teatro e jogos narrativos.
UM AMBIENTE IMERSIVO - Todo o espaço do evento é transformado para refletir o tema do jogo e da história que é contada. Esta transformação não se fica pelo palco onde decorre o espetáculo, mas também o foyer e a bilheteira, ou espaços equivalentes.
O PÚBLICO FAZ PARTE - Desde o momento da compra do ingresso, o público dos JOGOS IMERSIVOS faz parte do mundo do jogo. O tipo de bilhete comprado equivale a um código de idumentária; o público é emerso no mundo através da decoração e há sempre oportunidades durante o jogo para participação intrínseca na história.
E se alguém quiser criar algo parecido com o que fazemos?
Antes de mais: força! Queremos mesmo que continuem a surgir novos projetos, novas ideias e novas experiências.
Não consideramos que alguém tenha de pedir autorização para criar um “Jogo Imersivo”, organizar um “Liveplay Imersivo” ou explorar formatos semelhantes aos nossos.
Acreditamos sim que, quando existe a intenção de desenvolver algo muito próximo de uma experiência, formato ou estrutura específica que já criámos, é um gesto de boa fé ter uma conversa prévia.
Não para pedir autorização, mas por uma questão de transparência e respeito pelo trabalho de cada um. Uma conversa pode ajudar a perceber melhor as intenções, esclarecer semelhanças e diferenças e evitar situações em que um projeto independente possa ser interpretado como uma imitação ou reprodução de algo que já existe e até pode levar a uma colaboração e entreajuda. Mas, novamente, queremos salientar que isto não é um requisito.
É também essa postura que temos com o trabalho dos outros. Sempre que desenvolvemos projetos que utilizam propriedades intelectuais de terceiros, procuramos contactar os respetivos autores ou titulares de direitos, porque acreditamos que o trabalho criativo deve ser respeitado, independentemente de quem o desenvolve.
E, naturalmente, esperamos conseguir ter essa mesma relação de respeito e consideração com os restantes criadores.
Isto condiciona a criação de jogos e liveplays imersivos?
Não. Consideramos importante deixar claro que esta decisão não abre um precedente que condicione o futuro dos jogos imersivos, nem estabelece qualquer tipo de controlo sobre a forma que a área poderá evoluir. O futuro dos jogos narrativos não pertence a uma única associação, grupo ou criador. É um universo construído coletivamente, ao longo do tempo, por todos aqueles que nele participam. Queremos continuar a fazer parte dessa construção, respeitando o passado, valorizando o presente e deixando espaço para tudo aquilo que ainda está para vir.
O registo destas marcas não prejudica o legado de quem, antes de nós, contribuiu para o desenvolvimento das formas de expressão de jogos narrativos, nem limita o trabalho de quem continuará a fazê-lo no futuro.
Reconhecemos e valorizamos o contributo de todos os criadores, grupos e associações que ajudaram a construir esta comunidade e acreditamos que gerações futuras devem ter a mesma liberdade para experimentar, inovar, criar novos formatos e desenvolver as suas próprias identidades, e consequentemente, registar essa marca caso o considerem necessário.
A nossa intenção não é estabelecer regras para os outros, definir quem pode utilizar determinadas expressões ou condicionar a evolução desta área. É simplesmente salvaguardar a identidade e os elementos específicos do trabalho que temos vindo a desenvolver.
Porque é que estamos a comunicar agora?
Consideramos importante expressar a nossa perspetiva face a esta questão, visto que levantou questões com grupos e associações na área.
Pelo que sabemos, e podemos estar errados, esta é a primeira vez que é efetuado um registo de marca deste género no panorama nacional dos jogos narrativos. Consideramos que “Jogo Imersivo” e “Liveplay Imersivo” é a marca que usamos para classificar algumas das experiências que apresentamos e, como tal, exercemos o nosso direito de as registar. Depois de o termos feito, falamos com vários membros individuais da comunidade, nunca procurando manter o registo em segredo, porque é algo que, a nosso ver, não altera o panorama dos jogos narrativos.
Neste momento o registo ainda não foi aceite e está em período de oposição, pelo que qualquer pessoa que se oponha a esta decisão está no seu direito de o fazer.
Na sexta-feira, dia 30 de Outubro às 17h06 recebemos um e-mail da parte de Bardos do Mondego, Quebra-Dados, teatroàespada, The Guild DnD Club, Dados à Portuguesa, Dados e Dragões, Boardgame Villa, Mimic Network, Rolisboa e Mora Sininho Rosa a expressar o seu descontentamento com esta nossa decisão, e com um pedido de retiro dos registos de marca.
Respondemos ao e-mail com as nossas justificações para termos feito o registo de marca, as mesmas que apresentamos aqui, e todos concordámos em ter uma reunião hoje, dia 3 de Novembro.
Nessa reunião ouvimos as preocupações e pontos de vista dos grupos, e tivemos a oportunidade de apresentar, novamente, o nosso ponto de vista em relação ao registo de marca.
No final, ficou decidido que não retiraríamos o pedido de registo de marca e que aqueles grupos iriam exercer o seu direito de oposição.

